CORAÇÕES ENDURECIDOS

 

Em um casal onde a Palavra de Cristo não encontra abrigo não lhe resta alternativas de mudança. Não existe nada que possibilite o germinar da semente lançada por Deus em um coração insensível à sua voz. Em tal pessoa “o Maligno vem e lhe arranca o que foi semeado em seu coração” (Mateus 13.19).

Os relacionamentos que se encontram nesta situação são impossibilitados por causa do fator espiritual. A ignorância a este respeito favorece o agir do inimigo. Muitos se esquecem de que é na esfera espiritual que ocorrem as nossas maiores batalhas. Sempre foi intenção do maligno a tentativa de roubar aquilo que temos de melhor, além de tornar a nossa vida um inferno.

Na parábola do semeador, a beira do caminho representa o local de passagem entre as mudas plantadas; uma referência aos trilhos compactados que se formam com a passagem humana, tornando o solo duro e impenetrável. Nesta condição, a semente não tem chances de penetrar no solo, restando-lhe tornar-se comida de pássaros. Jesus se referia, portanto, a um coração endurecido, que não favorecia a germinação do Seu Evangelho.

Com base nesta passagem bíblica inferimos que o que torna um coração duro está relacionado às informações recebidas ao longo da vida. Na atualidade somos bombardeados por vários tipos de informações que prejudicam qualquer tipo de relacionamento humano, semelhantes ao compactar dos pés humanos nas vias do nosso coração.

Um coração endurecido pode ser comparado àquele que resiste ouvir antes mesmo de meditar no que se ouve. Quantas vezes estamos falando e o outro ao invés de nos ouvir está pensando no que vai nos responder! Ele na verdade não analisa o que foi dito, pois no fundo do seu coração acredita saber da resposta. Isto faz com que seu coração se torne impenetrável, transformando-se e uma barreira difícil de ser transposta, não restando muita alternativa para que seu possuidor possa ser ajudado.

No relacionamento familiar o mais importante é ter um coração disposto a aceitar o que o outro, nosso semelhante, tem a nos oferecer. Se nosso coração está fechado para receber, não aceitaremos o esforço do nosso companheiro em manter o relacionamento saudável. Quantas vezes casais reclamam que fazem o máximo um para com o outro e isto não é reconhecido por nenhuma das partes, ou é reconhecida apenas por uma. Esta última, na maioria dos casos, se sente a parte sofredora da relação.

Daí pode-se afirmar que o “maligno” da parábola é o mesmo em questão. Quando os corações estão endurecidos um para com o outro, não há muito que fazer. A Palavra de Deus é ensinada, e as orientações aos cônjuges são ofertadas, porém, pouco ou quase nenhum resultado é obtido. No momento do auxílio a esta família tem-se o sentimento de que teremos algum resultado, mas infelizmente, muitas vezes, Satanás vem e consegue tirar tudo de bom que foi repassado a ela. Quantos ouvem com alegria os conselhos que visam melhorar seus relacionamentos, e até se esforçam para praticar as orientações recebidas, porém de forma superficial, o que impossibilita a produção de resultados permanentes.

Em um relacionamento conjugal, resistente às orientações cristãs se percebe a semelhança com a primeira parte da parábola do semeador. O uso da Palavra de Deus com o intuito de ajudar este tipo de casal se equipara à semente lançada em um terreno duro e impenetrável, percebido pela falta de crédito e resistência aos ensinamentos de Cristo.

Infelizmente, em um casamento assim sua recuperação é muito difícil. Em vista disso, resta-nos apenas crer na realização de um milagre de Deus, quebrantando e mudando o rumo de uma família que vive nesta situação.

 
Nelson Costa