Conectados e desconectados

 

 

Estou nessa geração em que aparentemente está todo mundo junto e separado ao mesmo tempo, mas ainda não me acostumei com essa ideia. 

Recentemente, em um voo do Rio de Janeiro para São Paulo, fiquei observando os demais passageiros manuseando os seus celulares, tanto no aeroporto como na aeronave. Todos estavam ali fisicamente, mas cada um distante do outro. Logo, estavam todos juntos e separados; conectados e desconectados.

Contudo, foi no desembarque que observei o quanto a ideia de estarem conectados os aprisionavam.

É incrível o que vi quando a comissária de voo deu aquela informação de sempre: “mantenham os seus celulares desligados até a área liberada do aeroporto!”. Todavia, tão logo a aeronave parou, muitos pegaram os seus pertences de mão, ignoraram o aviso, e imediatamente religaram os seus aparelhos como se não tivessem ouvido nada – eles não podiam esperar alguns minutos para religarem os seus aparelhos celulares.

Ficou visível para mim o quanto as pessoas estão dependentes de estarem conectadas. Isto, por estarem desconectadas umas das outras. São solitários conectados a outros solitários, em uma espécie de ajuda mútua. Consequentemente, nessa vontade de se conectarem, se desconectam ainda mais daqueles que estão próximos. 

Tal fenômeno faz parecer que os que estão perto não podem preencher o vazio de suas almas. Conversa-se com quem está longe, mas nem uma palavra é dita a quem está perto. Com isso, cada vez mais as pessoas se desconectam uma das outras; aproximam-se dos amigos virtuais e se afastam dos amigos reais. 

Seja no avião; no aeroporto; nas ruas; nos ônibus, ou em qualquer outro lugar coletivo, o que encontramos é uma multidão de pessoas solitárias que buscam nas redes sociais relacionamentos que as desconectam da realidade. Quem sabe se não é isso que elas querem de fato? Fugir do contato com pessoas reais.

Por que as pessoas não podem rir juntas? Por que não compartilhar com quem está ao lado? O que percebemos é um abismo que a cada dia aumenta entre os seres humanos. É a solidão atingindo o seu ápice, em um mundo globalizado, em que todos estão conectados nas redes sociais e desconectados uns dos outros em seus relacionamentos diários.

Se as pessoas pararem para refletir; se desconectarem de suas redes sociaispor um momento; e olharem à sua volta, verão que o remédio para a solidão está bem ali, nos olhos e nas vozes de seus familiares e amigos.

Nelson Costa